domingo, 5 de fevereiro de 2012

Desabafo: Meu repúdio à sexualidade social

O que me motivou a escrever isso aqui, foi um certo comentário no Youtube. Era um vídeo de uma vlogger lésbica e o ser humano (?!) em questão comentou algo como "As mulheres gostarem de homem é uma mentira. 100% das mulheres são lésbicas, elas apenas não tinham voz pra se expressar!" e bla bla bla. Cliquei no responder, mas decidi não fazê-lo pelo simples fato de que UM SER TÃO MEDÍOCRE não merece resposta. Todo mundo sabe o quão contra o preconceito por orientação sexual eu sou. Todo mundo sabe. No entanto é esse tipo de LIXO que não merece nem ser chamada de pessoa, que estimula que o preconceito cresça cada vez mais, quando o certo seria este diminuir. Meu problema vai muito além de um simples comentário no Youtube e eu não vou entrar nos méritos científicos e filosóficos de "porque ela está errada", pra não insultar a inteligência de quem lê! Meu problema vai na socialização da orientação sexual, o que eu chamo de sexualidade social. Vai na adoção de um grupo de comportamentos que têm por finalidade expressar, colocar pra fora toda a frustração sexual de um ser social.

Todos nós temos sexualidade social, afinal todos nós expressamos nossa sexualidade socialmente, principalmente tendo em vista que as próprias convenções sociais não passam de um arranjo ideológico para a realização de nossos instintos dentro da sociedade (ao meu ver). No entanto, o problema é quando esses instintos são tão à flor da pele, que a sexualidade passa a ser a característica chave do indivíduo em questão! No caso do homossexual, como eu já disse há muito tempo aqui no blog, é natural que isso aconteça, tendo em vista a repressão que sofreu e sofre, afinal tudo aquilo que é reprimido um dia volta, ainda que de outra forma. No entanto, a expressão exacerbada dessa sexualidade, como comentei aqui, reduz o ser humano presente naquele cidadão a um status de animal! Meu conselho a um gay: Expresse sua sexualidade, mas destaque-se pelo seu intelecto, carisma, pela sua cultura, qualquer coisa, menos por isso. Meu conselho a um hétero: idem. O mundo hétero masculino, carregado de seus preconceitos e comportamentos caninos, é nojento, no entanto o mundo gay se diferencia deste apenas em suas características cosméticas, mas não adota um comportamento menos canino. Eu diria há alguns dias que o mundo hétero feminino é igualmente terrível e que o único que teria alguma salvação seria o mundo lésbico, mas me decepcionei com um comentário como esse (que inclusive, era O MAIS POSITIVADO).

O problema é que a hipocrisia atinge níveis absurdos quando se trata da repressão da homossexualidade. Todos acham um absurdo se um homem hétero tenta conquistar uma mulher lésbica, mostrando total desrespeito por sua orientação sexual, no entanto quando um homossexual tenta conquistar um hétero, parece uma história incrível e poética? Como assim?! Se um homem hétero afirmar que "Todo homem tem que gostar de mulher, é o certo e todos gostam, os gays são uma mentira criada pela sociedade." ele vai ser execrado, mas um comportamento como esse é aplaudido?! A repressão justifica algumas coisas, outras não.

A partir do momento que um talentosíssimo violinista gay solta a franga, veste uma roupa rosa coladinha e grita "AIIII SOU BIXA" pro mundo, todos vão (com razão) ignorar o fato de que ele é um excelente violinista e de "o violinista" para os outros, passará a ser "o viado que toca violino", ainda que seu comportamento seja aplaudido pela comunidade gay, que ainda vai se orgulhar dele. Se um violinista hétero aparece rodeado de vadias, batendo na bunda delas, e dizendo "SOU O MACHÃO", será igualmente aplaudido pela comunidade hétero e passará de "o violinista" para "o violinista putanheiro pegador". O que quero dizer é que a expressão da sexualidade por cima de outros valores, que adquirir uma identidade social baseada em sua maior parte por sua sexualidade, é igualmente ruim, sendo gay ou hétero.

Outro conselho para que o mundo gay possa conviver em paz com o mundo hétero: Dissolvam esses mundos e criem um só. É a presença deles, a presença de fatores de isolação social da sexualidade que gera o estranhamento de uns com os outros.

Não criei esse post direcionado a gays nem héteros, isso é apenas um desabafo, tendo em vista o absurdo que li há alguns dias, somado a outras reflexões do cotidiano.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Como todos somos estuprados desde a infância

Eu pensei em não digitar esse post. Seriamente. Primeiro porque é uma crítica rasa, sem pesquisa e um tanto óbvia, também. No entanto, pensando no pessoal que lê, sei que muita gente vai gostar dele e que muita gente não ouviu essa crítica tão básica. Portanto, farei as honras e serei o primeiro (tomara que de muitos) a dizer isso a alguns de vocês. Trata-se de uma crítica ao sistema educacional brasileiro (e de grande parte do mundo) e suas fundamentações básicas.

Pra começar, vamos a uma pergunta básica que fundamenta todo o resto: Por que você vai/foi à escola? De certo, são várias as respostas... Mas a maioria, claro, será no grosso um "para ser alguém na vida". Seja para conseguir um emprego que necessita do fundamental ou do médio completo, ou para poder entrar em uma Universidade, é pra isso que todos nós vamos à escola. É para isso que todos nós sofremos o estupro educacional.



"Estupro educacional? Como assim?!" Bem, essa é uma expressão que já ouvi dois grandes professores meus usarem. Pois explico: Estupro educacional, é como um estupro sexual, mesmo: X quer, Y não, mas Y é forçado a fazer mesmo assim.

A escola, como a conhecemos hoje, tem sua principal falha (na minha opinião, excluindo questões políticas) no fato de que é um sistema desenvolvido para ensinar pessoas a terem resistência a atividades repetitivas diárias (preparação para o trabalho massante) e sucesso baseado num sistema de testes. A escola e o método de estupro estudo "criam" o aluno, por assim dizer, para ser um robô, capaz de passar em testes, um cão que executa saltos e truques esperando um biscoito.

Acredito que muitos já devem ter questionado porque estavam a aprender certa matéria e o educador que a ensinava respondeu veemente que "Cai no vestibular." Ora, nada podemos fazer, se "cai no vestibular", senão aprender se quisermos entrar numa universidade, certo? No entanto, mesmo caindo no vestibular, não muda o fato de que, dependendo do curso que pretendemos fazer (ou se não pretendemos fazer nenhum), o conhecimento adquirido ali continuará inútil. A escola não cria o aluno como uma preparação para o ensino superior* ou lhe dá estudo, educação, mas sim ensina-o a passar em testes programados. Todo o sistema, desde a nossa primeira série, até o ensino superior (que triunfa ainda em alguns outros aspectos), baseia-se no simples sucesso em testes e/ou atividades mecânicas.


Na lousa: "Não vou instigar revolução"

Ora, devo confessar que, vendo as coisas por esse lado, sinceramente dou mais valor a um aluno que burla o sistema e faz apenas o suficiente para passar de ano, do que àquele aluno considerado exemplar, que tem as melhores notas. Claro que nossa sociedade aplaude mais ao segundo e execra (até pune!) o primeiro, no entanto é importante lembrar que falo da mesma sociedade que aplaude mais àquele que trabalha feito um desgraçado a vida toda (sempre defendendo os interesses de outros e nunca os próprios), para ter sucesso financeiro e ascensão social. Mesma sociedade que aplaude aquele que trabalha duro a semana toda, para ter sucesso financeiro e poder descontar todas suas frustrações no simples ato de comprar e provar que valeu a pena todo o esforço. É a mesma medíocre e alienada sociedade que aplaude o cidadão alienado, quem aplaude o aluno que nada mais é que um protótipo do próprio cidadão, um robô mirim. 


Primeiro, desde a infância, somos estuprados cada vez mais, durante anos, apenas para que nos preparemos para o grande estupro da alienação pelo trabalho. Perdoem-me o exemplo tão chulo, mas da forma como eu vejo as coisas, o sistema educacional, a escola antes do trabalho, é como se desde a infância fôssemos FODIDOS NO CU por um consolo cada vez maior, para enfim encararmos o Shane Diesel sem reclamar, pelo resto de nossas vidas. O ensino técnico que o diga, é como se fosse o primeiro cacete humano que se encontra entre o último consolo de látex e o Shane. Frustrados pelo abuso repetido e constante, pela inércia e pela insatisfação de seus anseios pessoais, satisfeitos apenas na compra de mercadoria, estes chamados cidadãos desejam as mesmas frustrações no outro, e se orgulham quanto mais estuprados estes são.

E sabem o que é o pior de tudo? É que o ciclo vicioso se repete, com os pais descontando tais frustrações nos filhos, desejando que os filhos sofram o mesmo estupro que eles, ou que possa compensar o estupro (que para eles não foi compensado) com seu belo Biscoito Scooby.

Acho que se continuasse minha crítica, começaria a ser redundante e não o desejo. Quero pedir desculpas pelo atraso de um dia da postagem, mas não consegui escrever na quarta-feira e me faltou a inspiração para fazê-lo anteriormente. Uma boa vida, com o mínimo possível de estupros, a todos. Fiquem com uma música MUITO foda.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

A relação entre alienação pelo consumo, rebeldia adolescente e precocidade

Esse post está algumas horas atrasado e eu tô com os olhos ardendo morrendo de sono... MAS VAMO LÁ.

A questão que gostaria de levantar hoje, é sobre como o domínio (autoridade) dos pais sobre seus filhos diminuiu, de décadas atrás para cá. Bora?


Todos que estão lendo, com certeza já ouviram histórias de seus pais, sobre como seus avós lhes davam menos liberdade e tinham mais autoridade, respeito ou coisa parecida. É fato que hoje os adolescentes são muito mais rebeldes (em relação aos pais) do que os dos anos 50, e também os pais lhes dão muito mais liberdade. Mas por que isso ocorre?

A hipótese que gostaria de levantar, é, como se espera do título, que o consumo estabelece intrínseca relação proporcional à auto-pseudo-independência, também conhecida como rebeldia.

Não me recordo como a ideia me ocorreu, mas quando notei a relação, logo pensei "Ufa! Tenho meu post pra hoje!" Pois bem, vamos por partes, pelos fatos:

1 - A adolescência socialmente (e até biologicamente) ocorre cada vez mais cedo nas sociedades.
2 - Quanto mais consumo do produto industrial, mais alienação.
3 - A propaganda deve buscar atingir os instintos mais primitivos do ser.
4 - Os consumidores do produto industrial são cada vez mais jovens.

O que ao meu ver acontece, é que os produtos precisam cada vez mais atingir a vontade de compra das crianças. Enquanto nos anos 50/60 todo o produto que seria consumido por uma criança seria comprado pelos pais, cada vez mais a criança escolhe suas roupas, seus brinquedos... Escolhe do que quer comer até a escova de dentes que usará após a refeição. Quando um anúncio de roupas infantis ou brinquedos é transmitido na TV, ele busca atingir a criança para que o deseje (ainda que o dinheiro para compra venha dos pais) e não seus responsáveis para que o comprem. E esses produtos vão buscar atingir os instintos mais primitivos da criança para despertar esse desejo, é claro. E qual nosso instinto mais primitivo e latente, presente desde muito cedo (ainda que não tão biologicamente ativo)? O de reprodução (sexual) é claro.

Sendo assim, vemos brinquedos que buscam atender os fetiches (ainda incompreendidos) da criança. Vemos roupas que buscam atribuir ao ser, ainda na infância, um valor estético. E todos sabemos para que servem valores estéticos, não sabemos? Quando a criança passa a consumir como adulto (e a atividade de consumo é quase que a total representação da vida adulta hoje), vai passando a se sentir cada vez mais adulto (e ilusoriamente independente), à medida que consome mais e mais, afinal, desconta (como todos) suas frustrações (pela não-realização de seus instintos) em bens de consumo.

O adolescente é naturalmente rebelde, isso não vem de sua condição social, mas sim dos instintos sexuais latentes (e constantemente reprimidos pela sociedade) graças a sua condição hormonal. A questão é que, se ele for mais precoce, será rebelde mais cedo, naturalmente. Não bastasse, cada vez mais (e isso já tratei em outros posts) valores morais e tradicionalistas (pelos quais não tenho qualquer simpatia) são cada vez mais subjugados pela força do capital e de sua lógica (de fins ilógicos) de consumo. Dá-se menos valor hoje em dia a morais e tradições, graças ao fato que se dá MAIS valor hoje em dia à relação trabalho-consumo-trabalho-consumo-trabalho... E quanto mais cedo se consome, mais cedo se é gente, mais cedo se é um membro pseudo-consciente (pseudo por ser alienado) da sociedade, ainda que com toda sua inconsequência infantil/adolescente.

É claro que este muito provavelmente não é o único fator que contribui para a rebeldia cada vez maior. Poderia argumentar que, por exemplo, isso se dá pelos pais desejando a própria realização pessoal nos filhos, não os impondo, tanto consciente quanto inconscientemente, as mesmas barreiras às quais ficaram à mercê durante sua infância e puberdade. Além dessa, muitas outras causas são possíveis, mas não consigo deixar de enxergar a relação entre precocidade e consumo, ainda que não seja o último o único responsável por ela.

Desculpem se ficou mal escrito, ou se não falei nada com nada, mas minha cabeça dói e meus olhos ardem. Espero que tenham gostado.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

(Conto) A Maldição das Borboletas


Acho que muita gente já deve ter lido esse meu conto, seja eu mandando o arquivo, seja no orkut... Mas enfim, quem não leu tá aí. Boa leitura!

Era uma vez, há muito tempo atrás, uma terra de segredos e magia; e de seres gerados por tais segredos, seres infusos em tal magia. Nossa estória, caro leitor, ocorreu em uma mágica e linda floresta, situada nos confins deste mundo mágico e antigo, longe da malícia e ambição de qualquer ser intitulado “humano”. Pois enquanto as estórias nos quais estes envolvem-se sempre terminam em violência, luxúria e traição, nossa estória ocorreu e terminou pelos mais profundos instintos e pela mais límpida inocência.

Mas antes que você, caro leitor, abandone este mundo mágico que lhe espera e procure algo que melhor satisfaça seu interesse, trago de uma vez a pequena aventura do fado.

Pela floresta mágica, onde a tão dita magia fluía tão abundante que podia ser vista brilhando no ar sem precisar de razão para isso, vagava um fado - e por fado me refiro como deve imaginar, ao masculino de fada. Vagava alegremente, nu, em suas pequenas dimensões corporais, porém com um corpo de trazer suspiros às fadinhas de sua árvore - e até a alguns fados, dos mais ousados, também!

Mas não pelas fadas, tampouco pelos fados, batia o coração do jovem ser místico. Não, o dono de seus pensamentos, quando coletava o pólen das flores, era na verdade um par de asas! Oh, nesse ponto é importante ressaltar que além do rosto e do corpo, as asas eram um atributo da estética levado em demasia a sério pela sociedade dos pequenos seres mágicos.

Nunca vira o rosto, ou o corpo do par de asas que, de vez em quando, ao longe, capturava a atenção dos quase microscópicos olhinhos do coletor de pólen mágico. Mas era o suficiente para que o amor – e sim, falo daquele à primeira vista – fluísse do coraçãozinho alado. Oh, que asas lindas seriam aquelas que em flores tão longes, de um jardim da floresta que nunca ousara aproximar-se, colhiam também a essência das flores? Mas não importava a quem pertencessem, fosse fado ou fada, nosso protagonista às desejava com fervor.

E num dia em que, como todos os outros da floresta mágica, o Sol brilhava radiante no céu, banhando as plantas com sua flamejante sabedoria, o fado decidiu-se: voaria até o jardim ao longe e confessaria seus sentimentos para quem quer que fosse o dono daquele lindo e maravilhoso par de asas. E voou.

Mas ó, caro leitor, devo adverti-lo que, quando alcançou seu destino, o humanóide alado teve uma surpresa e que, nossa estória agora há de tomar um rumo trágico.

Quando o fado viu a quem pertencia o par de asas, pela primeira vez em séculos, sentimentos escuros tomaram o coração de um habitante da floresta mágica e, também pela primeira vez em séculos, o Sol deixou de brilhar no céu e nuvens negras e tempestuosas tomaram o antes azul brilhante que reinava acima dos seres mágicos que lá habitavam. Oh, sim, pois, diferente do que nosso protagonista esperava, quem possuía o par de asas não era uma linda e graciosa fada, tampouco um belo e viril fado. Oh, não, caro leitor, quem, ou melhor, o quê possuía as mais lindas asas que o fado já vira na vida, era, sem mais delongas, uma mariposa.


E como num passe de mágica, todos os sentimentos lindos e azuis que antes tomavam conta de nosso protagonista em relação à mariposa, tornaram-se cruéis e vermelhos e impulsionado por seu ódio e pela tensão que alimentou, durante tanto tempo, forçou a inocente e desprevenida mariposa contra a flor que esta colhia e, num ato obscuro que nenhum outro fado, seres de maravilhosa bondade e inocência, jamais realizara, violentou o inseto.

E como quem não fizera nada digno de atenção, foi-se embora e o sol raiou novamente por cima da chuva, formando um grande e belíssimo arco-íris.

Mas nossa estória não termina por aqui, caro leitor. Pois, alguns dias depois do ato odioso de nosso protagonista, a mariposa colocou seus ovos, como faria. Mas da união antinatural que o fado forçara sobre ela, nasceram as primeiras larvas que, mais tarde, em seus casulos, criariam lindos pares de asas como os de sua mãe e seriam, de toda a criação, as primeiras borboletas.

Fim.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Crítica ao comportamento irracional masculino

Antes de começar o texto, devo advertir que essa postagem é um desabafo amontoado de clichês. Um amontoado de clichês morais e estéticos que me ocorreu graças à observação do comportamento de algumas pessoas, tanto ao longo dos anos, quanto mais recentemente.

Primeiramente, gostaria de expor um ponto de vista do qual já falei por aqui: Mulheres não pensam como homens. Não importa quanta igualdade sexual (que por si só é uma piada) haja, a forma como a mulher pensa é fatalmente diferente, graças a vários fatores, tanto sociais quanto biológicos, quanto psicológicos. Até aí, é apenas a forma como as coisas são (em parte) naturalmente e não dá para dizer que há algo de errado nisso. No entanto, é muitíssimo importante lembrar que diferente não significa, em hipótese alguma, superior... Ou não. Na verdade, o que observo é que os pensamentos de ambos os sexos, especialmente em relação um ao outro, são igualmente e fatalmente MEDÍOCRES. Mas por meio deste desejo focar apenas na mediocridade do pensamento masculino. Criticar o pensamento e comportamento feminino, além de ainda mais clichê que este, necessitaria de novas observações.

Vamos deixar claro que, ao mencionar e criticar o pensamento masculino, não significa de forma alguma que eu não tome parte de pelo menos alguns dos mesmos hábitos e comportamentos que este compõe.


Algumas pessoas, homens e mulheres, não têm noção de o quanto a tirinha acima expressa a realidade. É fato comprovado que homens possuem um ranking de beleza entre as mulheres e calculam friamente aquelas que são possíveis candidatas sexuais (Ainda que em fantasia. Vulgarmente, as "comíveis") e as que não são (algo que com certeza muitas mulheres fazem também). E até aí, eu tenho certeza que não há mal nenhum nisso, é apenas uma expressão do nosso mais simples eros, expressa de maneira seletiva, graças a sublimação do instinto sexual. De certa forma, a seletividade é até que algo bom, apesar de sujeita aos padrões de beleza ditados pelo capital (talvez um dia eu escreva uma postagem relacionada à ditadura estética do capital). O problema é quando essa seletividade, o tal ranking da beleza, ultrapassa outros valores de significante maior profundidade.

A busca pelo prazer é inerente a todos nós e quem me conhece sabe que jamais criticaria a poligamia (desde que igualitária aos gêneros), o poliamorismo, o relacionamento aberto, etc. Todavia, é fato que se você procura um relacionamento saudável, ele não pode ser baseado em manipular o parceiro, ou, no caso, a parceira "titular", para que ela não descubra sua constante quebra dos votos que a ela confiou. O problema-raíz, é que a própria escolha da parceira é quase que totalmente refém ao ranking da beleza. Escolher o compartilhamento de uma vida, ou parte dela, em razão de valores estéticos parece absurdo, mas é o comportamento mais comum do atual tempo. Se a escolha de uma titular foi apenas em razão de um padrão estético, de nada importam votos éticos e morais que a esta forem feitos, se o padrão estético de "uma outra qualquer" a superar (ou mesmo em alguns casos, apenas chegar perto dela). E tudo isso para, no final, obter-se mais prazer, uma maior satisfação do eros anteriormente mencionado. Mas por que isso acontece?

A maioria dos homens, como expresso nos parágrafos anteriores, enxerga a grande maioria das mulheres que não conhece, como meros objetos canditatos a relações sexuais. Acontece que as que conhece também. Isso é até um comportamento natural, no entanto, o que quero criticar é justamente o fato de que se supera qualquer limite intelectual por uma cega e momentânea realização de prazer. A impressão que eu tenho é que o comportamento inerente à maioria dos homens, reféns de uma estética que governa toda e qualquer relação com o sexo oposto, é o de animais, irracionais, CÃES que buscam acima de tudo a cadela com o melhor cheiro para cegamente satisfazer o próprio instinto sexual. Minha crítica não é apenas à postura ética (enganar, iludir, manipular), mas à postura prática e, principalmente, à postura intelectual! Viver uma vida baseando-se apenas na cega satisfação do instinto mais primitivo, quando se trata do convívio social com o sexo oposto. Não importa a relação intelectual e afetiva que se tenha com a fêmea, importa apenas a estética! E pior, quando importam tais relações (sem deixar de lado a estética) e quando há um pensamento que dá importância a uma ética (não enganar, não iludir, não manipular), todo o resto, por vezes pode ser quebrado apenas pelo padrão estético em questão.

Enxergar um pedaço de carne, um valor estético e não humano, reificar toda uma parte da sua vida, em nome de um instinto primitivo. Esse é o problema. O problema não é buscar o prazer, o problema é fazer isso cegamente, principalmente no que diz respeito ao âmbito intelectual! É sacrificar uma parte da sua vida em nome da realização de um instinto que poderia ser saciado seguindo algum valor ético e intelectual. É esse sacrifício intelectual que eu chamo de comportamento canino. É um comportamento, em qualquer âmbito, irracional, a quase que total colocação do instinto (este em forma quase primária) à frente da razão.

Obrigado por lerem e fiquem com Gackt, faz tempo que não deixo algo dele aqui, mas coincidiu de estar tocando uma música dele no momento em que terminei o texto.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Filosofando a níveis viajados


Ia dar um nome mais convicto e sério para essa postagem, mas acredito que ela vai a níveis tão drogados e que sua filosofia é tão "de boteco", que não seria adequado. A verdade é que eu sequer sei direito sobre o que vou falar, mas vou digitar ouvindo o 1º concerto para piano em Mi menor de Chopin, então algo esdrúxulo não poderá sair, né? '-'

A questão que gostaria de abordar, é sobre a razão do Universo e apresentar alguns temas de discussão que filosofei. Não sou agnóstico, como disse tenho algum grau de crença em algumas coisas sobrenaturais e suas manifestações em plano físico. Também, por meio desta, quero falar um pouco sobre mim, pois não costumo fazê-lo muito por aqui.

Eu sempre quis morrer, desde criança. Não por mórbida depressão (salvo em algumas ocasiões), mas por um insaciável desejo de encontrar-me, face a face, com o sobrenatural; por uma vontade latente de saber qual das religiões estaria certa, seja qual fosse. Onde eu morava, havia uma mureta que ficava grudada à parede de uma casa. A casa, por sua vez, ficava ao lado de uma escada e se extendia até o fim desta. A casa era plana e a escada, obviamente, íngreme. Sendo assim, a casa era sustentada por um grande pilar no pé da escada. Eu, criança, me divertia diariamente em andar por aquela mureta (especialmente depois de jogar Prince of Persia hehe). Uma queda dali seria fatal. E por incontáveis vezes, senti-me tentado a saltar dali para o infinito. Não o fiz. Juro que não por falta de coragem, mas sim por medo de abandonar minha mamãe querida. Por medo das lágrimas que haveriam de rolar por sua face, caso eu o fizesse.

Essa vontade de cometer suicídio em nome do conhecimento daquilo que está normalmente fora dos limites científicos, perdura até hoje, mas não cogito a hipótese, pois sei que meu dia chegará. Tomara que demore, mas enfim, vamos ao que interessa.

Muitas pessoas acreditam que "agnóstico", significa estar em cima do muro, não acreditar nem deixar de acreditar, um meio termo entre o teísmo e o ateísmo. Eu mesmo utilizei o termo dessa forma durante muito tempo, mas ESTÁ ERRADO. Agnosticismo varia em vários graus, mas o principal fundamento dessa corrente de pensamento, é a crença de que, se o sobrenatural existe, está totalmente fora dos limites da razão. É eu acreditar que até eu ter meu encontro fatídico com o sobrenatural, eu não vou conhecê-lo por meio de religiões ou fenômenos.

Foi pensando sobre o agnosticismo (novamente lembrando que não sou agnóstico) que [pausa para tocar air violin] levantei a seguinte hipótese: E se o nosso raciocínio não for suficiente. Devo confessar que o meu pensamente assemelha-se um tanto ao do espiritismo Kardecista, mas há latentes diferenças, que não mencionarei. A idéia da hipótese é que, o ser humano ainda é um ser inutilmente racional. Que o raciocínio e o "poder" da mente humana ainda são fracos demais para conseguir uma compreensão do Universo. Baseando-se na teoria da evolução, basta observarmos a idade do Universo comparada à idade da raça humana e notar-se-há como ainda é jovem nossa espécie, em relação ao meio em que habita. [air piano agora] Sendo assim, o que nos garante que a evolução impulsionou nosso raciocínio ao limite? Nada! Se o raciocínio humano, isto é, a presença de pensamento e individualidade através da linguagem, surgiu a partir da evolução, é óbvio que este ainda não chegou ao seu limite, pois o homo-sapiens ainda é jovem a uma escala universal, mesmo a uma escala terrestre. Portanto, a questão com a qual comecei essa postagem em mente, foi a de que talvez nosso raciocínio, a tão mencionada razão humana, não seja suficiente para a compreensão do Universo.

Claro que é um pensamento clichê e batido, mas vale lembrar que se tem uma coisa que acredito, é na existência de vida inteligente fora do planeta Terra. E se essa vida inteligente está lá, talvez ela possua uma compreensão das coisas acima da que a nossa jamais possa chegar. Mesmo o conceito de vida, é tão vago que é impossível definir com total certeza o que é vida. Talvez a vida que exista lá fora seja tão diferente da nossa, que sequer a notamos quando a encontramos.
Isso tudo me leva a outra questão que pensei: E se o Universo for "Deus"? Espero que você, que está lendo, esteja familiarizado com o pensamento de Santo Agostinho sobre a causa-primordial. Se não estiver, useaporradogoogle.com.br porque não tô afim de resumir não.

O que pensei foi: "E se o Universo for a própria causa primordial?" Se o Universo se auto-cria e, dele, surge um pensamento racional primordial (lembrando que Deus, se existir, NÃO é perfeito, ao meu ver das coisas), então ele pode sim ser chamado de "Deus", não? Claro que não podemos compreender como o Universo poderia se auto-criar, ou o que haveria de existir anterior a ele (nada, visto ele ser a própria causa), mas não deixa de ser uma hipótese, um debate interessante a ser tomado, não?

Gostaria de lembrar a todos que lêem meu blog, que o meu objetivo aqui não é ditar idéias, mas sim provocar a reflexão. Não quero que tomem como verdade absoluta tudo que escrevo aqui, porque nem eu o faço. Quero, sim, que o que eu pensar (e escrever aqui), leve você, que lê a pensar. Propor debates e jornadas mentais que você que lê possa ter em grupo ou consigo mesmo. Meu objetivo é levantar questões e nunca resolvê-las. Claro que há o objetivo secundário, que é desabafar algumas coisas que eu penso, mas enfim, é isso.

Espero que tenham curtido, fiquem com o 1º movimento dessa maravilha tesuda e passem bem! =D

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

AVISO IMPORTANTE

Gente, eu quero dizer que, a partir de agora, vou tentar postar pelo menos um texto por semana! =D Juro que vou tentar adiantar alguns já pra conseguir manter essa meta mesmo que passe uma semana sem escrever, ok? E isso vale apenas para os textos normais, ou seja, artigos reflexivos. Isso significa que posso também postar poemas, desabafos, etc. durante a semana.

Todavia, tenho que avisar que não serei tão crítico com o que posto aqui. Isso significa que o critério para coisas que eu escrevo e posto vai ser reduzido. Há muitas coisas que escrevo ou penso que eu julgo não ser decente pra postar no blog, mas procurarei dar uma polida em tudo como sempre, ok?

Abraço a todos. o/