terça-feira, 3 de janeiro de 2012

A obsessão mal-direcionada do pensamento racionalista ateu

Depois de um bom tempo sem postar, me surgiu a inspiração a escrever um texto sobre algo que há muito tempo me irrita. Trata-se da obsessão em enfrentar a religião pelo movimento ateísta. LÁ VAI! \o\

(Na imagem: O Ateu: Ateus sem deus ameaçam a civilização Cristã)

O que temos a observar nas questões do grande movimento que há, tanto religioso quanto ateísta, é algo que está explícito desde o começo dos tempos: A Religião é um reflexo da Cultura. Os mitos sempre surgem, sim, para controlar uma população, empobrecer muitos e enriquecer poucos, etc, sim. No entanto é importante ressaltar que esses mitos e seus modos de vida implícitos não surgem apenas do nada, mas sim como reflexos mistificados de uma cultura já presente. Peguemos o exemplo da religião islâmica, onde a mulher é completamente subjulgada. Pense consigo mesmo: Você de fato acredita que as mulheres daquelas regiões não eram subjulgadas antes de o mito surgir? Só porque algo possui uma "desculpa celestial", não significa que esse algo não seria feito sem ela. "Vamos combater a religião, ela causa guerras, morte, conflito, alienação." é um pensamento ateu recorrente, e até verdadeiro. Mas pensem consigo mesmos nas guerras que "a religião causou" e reflita: Elas foram guerras em função de religiões ou de interesses políticos, apenas alicerçados em religiões?

O fato é que o combate ao conflito, guerra, alienação, é mais importante que o combate à religião em si. Vamos a outro exemplo disso: A Rede Globo. Claro que todo mundo sabe que as palavras Rede Globo e alienação andam juntas desde sempre, no entanto vamos observar o nosso tempo, longe das questões militares de décadas atrás. Assistindo à emissora, pode-se observar que, em todo o seu processo de alienação, da manhã até a noite, vemos pouca religião, ou uma religião tratada de forma nada séria. Isso extende-se aos comportamentos dos personagens das novelas (sendo estas um dos principais mecanismos de ditadura comportamental), que não possuem posturas religiosas, cansa-se de ver sexo, violência, atos vingativos, etc nas novelas da Globo, quase como se esta fosse uma emissora não-religiosa (salvo algumas referências culturais à religião católica, como casar na Igreja). Porque isso acontece todos sabem: A principal ameaça do monopólio total, que almeja uma fatia do bolo de gente pra emburrecer, é uma emissora com grande cunho religioso, a Rede Record. Agora fica a pergunta, que já tinha a resposta implícita desde o começo do parágrafo: Sem religião, a Globo aliena ou não (ozo ozo ozo, eu sou o rei da rima)?! Claro que sim.

Grande parte da população estadunidense realmente acredita que os soldados enviados ao Oriente Médio foram lá defender os ideais de Liberdade fundamentais de sua pátria mãe, algo ridículo perante aos olhos brasileiros, já que até em nossas apostilas nas escolas estaduais temos alguma informação de questionamento aos atos do governo dos EUA. Mesmo assim, o extremismo religioso está onde? Do lado árabe. Os EUA são o país que mais causa guerras (direta ou indiretamente), que mais causa miséria (idem), e, principalmente, que mais busca a alienação em massa. Ainda que exista um forte cristianismo por lá, é fundamental refletir se o país seria ou não seria assim, se não houvesse a religião, apenas o ateísmo. Novamente, é claro que seria.

A luta contra a religião e seus males, do movimento ateísta, parece cega a estas questões, lutando, provocando e enfrentando a religião de modo quase que (pasmem!) irracional, que é tudo que o ateísmo clama não ser. Não sou partidário de nenhuma religião, muito menos ateu, tenho até alguma crença no sobrenatural, no entanto é óbvio (há não ser que você seja um religioso alienado) que o ateísmo é melhor para o mundo do que a crença sobrenatural. O problema é que essa luta, e estou sendo redundante já, mira apenas uma face do problema. Eu, pessoalmente, acredito que os ateístas, que clamam ser tão racionais (e geralmente o são, ao menos muito mais que os religiosos), deveriam usar seu raciocínio e senso-crítico para combater, por exemplo, o capitalismo, que é, com absoluta certeza, um mal muito maior e mais poderoso do que a crença em entidades sobrenaturais.

O que me irrita de verdade, é que parece haver uma obsessão ateísta para com o ramo religioso e a luta contra este. Claro que devemos combater a religião e o pensamento ridículo que ela implica, mas antes disso devemos observar o mundo em que vivemos e as questões mais urgentes relacionadas a este. As igrejas são ridículas e cometem atrocidades, tanto socialmente, quanto psicologicamente, quanto políticamente. Se houvesse um maior investimento em educação e condições boas de vida dentro do país, a religião perderia seu poder automaticamente, pois menos pessoas a procurariam, pois, vulgarmente falando, teriam mais cérebro, e, principalmente, mais esperança: Esperança de uma vida decente, esperança de uma liberdade de expressão, esperança não depoisitada em entidades sobrenaturais, mas sim no próprio trabalho e dedicação.

Deixo claro que não digitei o texto aqui, visando ofender os ateus ou o pensamento ateísta, pois simpatizo bastante com o mesmo. Deixo claro também que não visei ofender os religiosos (mas sempre viso ofender o ridículo, esdrúxulo, horrendo pensamento religioso tradicional).

Espero que, quem curte ler meu blog, me perdoe pela demora, mas inspiração é inspiração e não é sempre que ela vem.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

(Reinauguração) A paisagem cultural do entretenimento eletrônico dos anos 80 até hoje em dia

Primeiramente gostaria de falar um pouco sobre a reinauguração do blog, que estava suspenso em função de sua prévia substituição pelo tumblr. (Que você pode acessar clicando aqui). Para tal, copiarei e colarei aqui o comunicado postado no mesmo:

Bom, eu não nego que quando criei este tumblr, o fiz no intuito de substituir o meu blog, Expressão 88. Todavia, após o uso deste, notei que o tumblr é muito mais adequado para postagens de texto, digamos, mais pessoais, se não mais íntimas. Enquanto no blog postava textos (que pelo menos intencionavam ser) interessantes a qualquer um que a página acessasse, aqui o que escrevo não interessaria a ninguém, senão a pessoas que me conhecem.

Por isso, continuarei com o Expressão 88, mas não excluirei o tumblr, que continuará ativo. Agradeço a compreensão.

Feito isso, posso enfim escrever o post de reinauguração, que, advinhem, será sobre vid... Entretenimento eletrônico interativo. (Correção executada após a observação imaginária de vários usuários fechando a janela do blog).

- O contexto histórico-social -

Piadas à parte, o entretenimento eletrônico interativo, também conhecido como Video-Game nasceu em meados dos anos 60, nas mãos de alguns cientistas. Porém só conquistou sua popularidade (e industrialização massiva) no começo da década de 80, mesma época em que jovens roqueiros tomavam enquadros da polícia, ao invés de serem julgados como classe-média automaticamente. Bons tempos... *suspiro*

O primeiro jogo de verdade a ser lançado e comprado em massa, foi o chamado "Pong." Conhecido no Brasil pelo nome "Telejogo." Consistia, basicamente, de um "pauzinho" em cada extremidade da tela que rebatiam a bolinha (que não passava de um píxel) de um lado para o outro como num jogo de ping-pong. Um brinquedo, simples entretenimento para a família e para a criançada, me recordo de num livro dos anos 80, o adolescente protagonista narrar ter jogado o revolucionário aparato com sua avó. Mas certamente nenhum dos habitantes da tão mágica década de 80 tinha alguma noção de que aquele simples bate-e-rebate tornar-se-ia algo tão genuinamente grandioso (talvez os Illuminatti da época soubessem, né, vai saber... Mas naquela época as pessoas ainda não criavam teorias da conspiração como criam-se hoje com a popularização da Internet).


Claro que não demorou para que a diversão evoluisse para jogos como os do Atari, este sim de fato uma plataforma de jogos (afinal estes eram comprados separadamente). Ainda assim, a simplicidade de jogabilidade e contexto/motivo/estória matinham os jogos como um aparato, se não para toda a família, para quaisquer audiências. E foi assim, eu prejulgo, mais ou menos até a geração dos 16-bits (Super Nintendo, Mega Drive, etc). Por fim, findou-se completamente, com caixão e vela preta, a sensação de entretenimento simples e para todas as audiências na segunda metade dos anos 90, com consoles como o Playstation e o Nintendo 64.

Hoje, essa sensação praticamente inexiste, os video-games possuindo, no Brasil, uma cultura infantil, adolescente e jovem adulta, além de, em todos os casos, masculina. Nos países desenvolvidos, especialmente nos EUA, essa cultura é mais puxada ao jovem-adulto e ao adulto, além de ser menos (porém ainda sendo) masculinizada. Em outras palavras, nos EUA há mais adultos jogando video-game, além de mais mulheres. Para se ter uma idéia, há mais jogadoras americanas acima de 20 anos, que jogadores americanos abaixo de 18. Mas será que o conceito de entretenimento familiar simples e generalizado morreu mesmo? As famílias de clase média alta jogando seus Wii's dizem que não. É claro que a elitização cultural dos video-games deve-se também ao tamanho do investimento necessário, portanto, os jogos além de tudo afastaram-se das classes mais baixas. Outro fator que contribuiu para isso, foi o advento dos fliperamas, em muitos casos infestados de drogas e adolescentes mal-intencionados, que mancharam a imagem pura que joguinhos inocentes deveriam ter. Ainda na questão das classes, também vale lembrar que, quanto mais alta a classe social, maior a afinidade (e dependência) para com a tecnologia em geral. (para um ensaio mais aprofundado sobre esse tema, clique aqui).

- O Contexto artístico-social -

É óbvio que audiências mais simples (que não necessariamente significa "mais pobres", pois me refiro aos hábitos de entretenimento, que são igualmente simples nas classes mais altas, apenas mais caros) gostarão de filmes mais simples. Uma família mais simples, em geral, não apreciaria um filme como "O Labirinto do Fauno" ou "Trainspotting". Ao invés, veria "Velozes e Furiosos" ou "Transformers", preferiria músicas simples como funk, pop rock, rock n' roll, pop, etc, a rock/metal progressivo, jazz, música erudita, etc. E com jogos, claro, também é assim. Acontece que, na grande massa de jogos, não saíram mais jogos simples, inocentes e divertidos. Saíram, até, mas não popularizaram-se como quando eram novidade e não existia então um preconceito em cima dos mesmos, até porque miraram um público alvo já fechado. Joguemos Mario 64, é simples e divertido, mas seu avôs conseguiriam jogar? E o jogo em si foi produzido pensando "Miremos que jogadores de video-game comprem!"

O que antes era um mero contexto escrito em um manual, apenas para dar motivos a fases e pontuações, hoje são tramas complexas, produções milionárias escritas por roteiristas famosos, com compositores estudados por trás da atmosfera musical. Jogos não são uma diversão para toda a família, são algo refinado, só para quem está disposto a dedicar tempo e cérebro. Peguemos o contexto de um deles, por exemplo, Silent Hill 2 (eu não canso de citar ele...): O jogo aborda temas como assassinato, sentimento de auto-punição, repressão do desejo sexual, a relação entre amor e sexo, abuso sexual... É, acho que já deu pra entender. Mas vamos citar outro exemplo... A série Metal Gear Solid. Bom, aborda temas como guerra, política no geral, controle sócio-político das massas, amor/ódio, relações entre pais e filhos e mestre e discípulo, desastres nucleares, formação psicológica do indivíduo, drogas, consequências sócio-políticas de atos de guerra, terrorismo, até mesmo o próprio sentido da vida... Enfim, se não deu pra entender agora, sugiro que vá suicidar-se.


- Encerrando -

Lembra que comentei das famílias de classe média-alta e seus Wii's? Pois é, em seu lançamento e até hoje, a Nintendo fez uma propaganda de algo revolucionário, e, principalmente, um video-game para toda a família. Apesar da primeira afirmação ser uma mentira deslavada, a segunda era verdade. Por quê? Porque os jogos do Wii são simples (você mal precisa associar funções cognitivas a botões, joguem movimentos para ser o mais instintivo possível) e divertidíssimos. Claro que há jogos complexos e fodões para o Wii (como No More Heroes), mas o foco, a apelação de conteúdo dele é de jogos para toda a família. O que a Nintendo fez com console não foi de forma alguma uma revolução, mas sim UMA VOLTA ÀS RAÍZES em busca de um apelo comercial maior. E deu certo, o Wii é um dos 5 video-games mais vendidos da História. Impressionante? Sim. Comercialmente inteligente? Absolutamente.

Infelizmente, a realidade é essa e é cruel que obras de arte ainda não sejam tão apreciadas como deveriam fatalmente ser, graças ao fechamento e elitização de uma cultura. No Brasil, esse fechamento ainda se intensifica graças à implantação da língua inglesa (ou japonesa...) tradicional nos jogos, que até muito pouco tempo, nem oficialmente lançados por aqui eram, muito menos em PT-BR.

"Trágico..." como diria o Sr. Omar.

Claro que eu precisaria fechar o post com algo da boa e velha video-game music que todos amamos, dessa vez com um clássico. E COMENTEM!!!!!!!


terça-feira, 31 de maio de 2011

Preconceito e hombridade

Uma coisa que sempre noto em pessoas preconceituosas, seja lá qual for o tipo de preconceito, é que lhes falta hombridade. Se você não sabe o que é isso, não se culpe, afinal não é lá uma palavra popular.

Pois bem, vou dizer o qual o sentido da palavra que emprego aqui, que é como ela é usada geralmente: Hombridade é a atitude de assumir o que fez. É aquela criança que quebra algo da casa e diz "Fui eu quem quebrou, me desculpe.", mesmo sabendo do castigo que tal atitude resultará.

Sempre noto em pessoas preconceituosas, portanto, a falta de tal qualidade (dentre tantas outras, né...)

Vamos a um exemplo que uma pessoa bastante próxima de mim costuma dizer:

"Ora, não sou racista, não é que não gosto de preto. Tudo bem ser preto, desde que se ajuste à cultura do branco."

Não bastasse a imensa quantidade de etnocentrismo de que a citação é dotada, pode-se também observar a falta de hombridade que mencionei. Ora, se não gosta da cultura do negro, não gosta do que ele essencialmente é como um ser social, logo não gosta dele, logo é racista. Mas claro que procura nesse jogo de palavras uma desculpa para aparentar ser um bom samaritano, cidadão politicamente correto, defensor da moral e dos bons costumes.

Outro exemplo:

"Nada contra gays, desde que estejam longe de mim!"

Como uma sentença contraditória por si só, nem digno de meus comentários tal absurdo é. Mas novamente podemos observar, no ser agora homofóbico, como ele se contradiz tão facilmente graças à falta da qualidade que já tanto citei. Mas poxa vida, se não tem nada contra, por que quer que fiquem longe de você, ó ser tão desprovido de massa cinzenta?!

Falando sério eu realmente não suporto ouvir esse tipo de absurdo. Dou mais valor a alguém que diz "Acho que os negros e os gays deveriam ser mandados a campos de concentração, sou preconceituoso sim." do que alguém que disfarça o preconceito para conveniências sociais. Afinal, se deseja ser um ser dotado de 100% de ignorância e -200% de senso crítico, que pelo menos assuma sua falta de atributos intelectuais perante os demais seres humanos.

Post curto, mas dane-se, só queria desabafar um pouco disso aí. Fiquem com "Oooo"


sábado, 28 de maio de 2011

Luxúria

Luxúria que consome,
Fruto da tentação.
Cheiro de luxúria,
que é benção e que é sina.
Sinto-o e me recordo
Dos atos de luxúria.

Luxúria;
Simples e complexa,
Pobre e rica,
Rasa e profunda.
Pecado que não tem
Nem gênero nem cor,
Mas tem cheiro...
Sensação... Sabor.

Consome o desejo,
essa luxúria.
Consome, queima e
deixa para trás o pó.
Mas o desejo tão ardente,
É a luxúria e por isso,
Se consome por si só.

E os meus olhos
Enxergam a luxúria.
Enxergam na parede,
no meu corpo,
na cama.
Cama que, manchada,
me lembra da luxúria.
Essa mesma que eu
enxergo
Nos olhos da dama.

Ela não vem a serviço
nem do bem, nem do mal.
E nada tem a ver
Com tantos compromissos
Assinados pelo coração.

Luxúria interdependente.
Alegre, descontente.
Abstrata.
Ingrata.
Sem forma.
Sem norma.

Luxúria que consome,
Fruto da tentação.
Reagente do desejo,
que é tão desesperado
e tão reprimido
pelo trabalho,
trabalho que escraviza.

Luxúria:
Nunca aflige, nunca ampara.
Luxúria que nunca pára.

sábado, 30 de abril de 2011

Pequeno ensaio a respeito do avanço desenfreado da tecnologia na sociedade consumista


[A imagem acima não é de minha autoria, achei na net e traduzi, só.]

Peguei-me refletindo, durante um certo período de insônia, a respeito de algumas coisas em relação à tecnologia moderna e senti-me compelido a compartilhar com os leitores do blog as idéias - um tanto quanto abstratas, de fato - que surgiram de tal reflexão. Visto esta ser outra postagem um tanto quanto mais complexa, tentarei mimetizar a forma como escrevi minha dissertação a respeito da formação/consequência da orientação sexual na sociedade moderna, porém adotando uma linguagem um tanto quanto mais descontraída.

Apesar da seriedade que minha escrita traz, gostaria de iniciar o texto com, pasmem, uma piada. Piada essa de natureza um tanto quanto contra-ideológica, vocês verão.

Todos os dias, de sua luxuosíssima cobertura em uma cidade litorânea brasileira, um empresário podia observar, pela janela, ao longo do período em que trabalhava de seu escritório particular, a rotina de um pescador, na praia. Diariamente ele via o pescador trabalhar não mais que algumas horas, vender alguns peixes, comer outros, vez ou outra comprar o básico para viver e passar o resto do dia tocando viola, ou mesmo apenas relaxando na rede, fumando seu caximbo. Sendo o empresário um homem de origem humilde - talvez até mais que a do homem que observava -, um típico self-made-man que subira na vida graças a muito trabalho e grandes noções de empreendedor, não conseguia suportar o fato de que o pobre homem lá de baixo não trabalhasse mais e ampliasse seu negócio de pesca. Tendo isso em vista, resolveu num dia em que estava menos ocupado, descer até a areia e indagar o pescador quanto aos fatores que tanto lhe incomodavam. Abordou então o homem:

-Ei, pescador! Tem um minuto?

O pescador levantou vagarosamente da rede, expreguiçou-se e foi então conversar com o bacana:

-Pois não, dotô'?

-Eu não pude deixar de observar, todos os dias o senhor trabalha menos que quatro horas e fica relaxando o resto do dia aí na rede. Correto?

-Sim, dotô', por quê?

-Bem, é que se o senhor trabalhasse mais horas, poderia vender mais peixes, acumular mais lucro.

-E daí?

-Daí que o senhor poderia comprar uma rede melhor e pescar ainda mais, para então acumular mais lucro e até comprar um barco! Daí pescar muito mais, até poder comprar outro barco! Poderia chegar até a ter uma frota!

-E daí?

-Daí que o senhor poderia ficar rico, se trabalhasse mais, durante sua vida!

-E daí?

-Daí que rico o senhor ia poder aproveitar a vida!

O pescador parou, pensou, voltou então à rede, deitou-se, expreguiçou-se e então falou, sorrindo:

-E o que o dotô' acha que tô fazêno agora?

É claro que, nenhum de nós conseguiria viver uma vida de "vadiagem" como a do pescador apresentado na piada. Ainda assim, ela é importante para que eu demonstre o raciocínio que pretendo demonstrar. A felicidade é relativa e o que faz uma pessoa feliz, jamais fará a outra. O empresário jamais se contentaria com a vida do pescador e o pescador, ainda que pudesse talvez facilmente acostumar-se ao luxo, aos banhos, carros, roupas, iates... Dificilmente conseguiria trabalhar durante a vida toda tal qual o empresário. No entanto, por que NÓS não conseguimos nos adaptar à vida do pescador? É claro, nós só perseguimos o dinheiro, não porque somos porcos capitalistas, mas sim porque perseguimos as coisas que nos dão prazer, conforto, diversão... E essas coisas custam dinheiro , quer dizer, sexo não né, se você tiver com quem fazer, mas leve em conta que são necessárias camisinhas (dá no posto? E você acha que é o imposto de quem que paga?), um lugar privado pra trepar (menos na Holanda kkkkkk Holanda = Paraíso kkkkkkkk), enfim, apenas perseguimos o lucro e o dinheiro para podermos ter as coisas que nos dão prazer ou conforto. Porém a questão vai além disso: A questão real é que fomos induzidos, condicionados, nosso cérebro foi lavado, para querermos e termos prazer com as coisas que custam dinheiro! Esse é o processo básico da Ideologia, uma das principais ferramentas do sistema. Marx disse algo como "Somente o homem livre dos bens do capitalismo poderia ser o agente da revolução contra o capitalismo" (claro que a frase não é exatamente essa, mas enfia a idéia de que vo buscar a certinha você sabe onde). Isso quer dizer que nós (e como "nós", refiro-me a mim e aos leitores do blog) não poderíamos nos revoltar contra o capitalismo, visto que já estamos *uns mais que outros* sob influência da Ideologia, e um regime não-capitalista iria nos impedir de ter as coisas que as grandes empresas nos vendem. Claro que o capitalismo se fundamenta em outros diversos pilares, como a mais-valia, mas hoje é sobre tecnologia que eu quero falar.


A função do avanço tecnológico dentro da Ideologia


Como você deve ter aprendido na escola, o capitalismo persegue mais e mais lucro (Master of The Obvious!!!!! \m/). Ainda assim, seria complicado que a sociedade não ficasse estagnada em seus bens caso não existisse o consumismo, então não haveria mais e mais lucro e sim uma quantidade de lucro igualmente estagnada. Por isso que a moda avança (isso e claro outros fatores que não têm tanto a ver com política), e que, PRINCIPALMENTE, surgem novas tecnologias. Se o seu PC é bom hoje, amanhã ele não será. O mesmo pode ser dito de seu video-game, celular, televisor, eletrodomésticos, enfim, de toda a tecnologia que você possui e pode possuir no futuro. Vi um rapaz na TV esses dias, rapaz que vai apresentar um programa sobre tecnologia, ser indagado a seguinte questão: "Você acha que a tecnologia está avançando rápido demais para a sociedade ou a sociedade é que é lenta?" Apesar da ridicularidade da pergunta em si (afinal, só há seres-humanos pensantes no mundo, nada de elfos, asari, vampiros ou quaisquer outras raças imortais que a ficção possa pensar), é de total importância a resposta dela e é nesse ponto que eu ainda chegarei ao final deste post.

A questão é que os problemas, alienação, etc que a tecnologia traz, vêm do processo de acúmulo de lucro necessário à manutenção do sistema capitalista. Então recapitulando, para que possamos encerrar:

Passo 1 - O sistema precisa de mais e mais lucro.

Passo 2 - Para lucrar, o sistema precisa da Ideologia, que acarreta no:

Passo 3 - O consumismo permanesce implantado na sociedade, mas o consumismo por si só não se sustenta então...

Passo 4 - Surge o avanço da tecnologia de forma desenfreada, de forma a realizar a manutenção do consumismo junto com outros fatores como a moda.

Passo 5 - A tecnologia aliena as pessoas e realiza a manutenção da Ideologia por si prórpria.

Passo final - O intelecto e o senso crítico das massas, o avanço tecnológico positivo, isto é, aquele que vem com a necessidade ("Precisa fruta, faz lança" nas palavras de um personagem fictício muito interessante) e mesmo a natureza e os recursos naturais, acabam prejudicados por tudo isso. O avanço da tecnologia não só cria pessoas que não se adaptam ao mundo, mas acarreta problemas como a devastação do planeta, regimes de semi-escravidão e trabalho infantil em fábricas, super-produção de lixo tecnológico, alienação das massas e prejuízo ao bem-estar psicológico e social, entre muitos outros.



Resumindo, com a resposta da perguntinha ridícula: A tecnologia avança rápido demais. Por quê? Porque é isso que o sistema quer. Por que ele quer? Pra gerar mais e mais lucro e ter cada vez mais poder pra pequenas minorias.

Espero que tenham gostado desse post. Sei que o tema é muito mais abrangente, mas enfim... Beijos e fiquem com DT, porque (é a melhor banda do mundo e...) em breve veremos Mike Mangini pilotando as baquetas. E por favor comentem! Se ninguém comenta, eu não tenho motivo nenhum pra escrever.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Consoles e PC - O atraso e minhas opiniões sobre a atual geração de games

HUAHUAHUA Nome tosco do caralho. Então, tipo, na verdade essa postagem é um desenvolvimento maior de um comentário meu na GameVício (site de filho da puta), sobre uma matéria que estatava o óbvio: Que os consoles atrasam o desenvolvimento gráfico de jogos para PC e que o PC está facilmente uma geração a frente dos consoles em tais quesitos. Todo gamer sabe disso, isso é meio óbvio na verdade... Mas enfim vamos a meu comentário:

Só que tem uma coisa que a galera não pensa: Não é todo mundo que joga em PC, que o PC está "facilmente uma geração a frente." O custo de um PC em tais condições, além disso, é muito maior que o de um console, e os preços dos consoles e jogos já são altos (mesmo para os gringos, a diferença que eles podem pagar) o suficiente. A verdade é que video-game é um hobbie um tanto quanto elitizado (novamente digo, mesmo para os gringos, ou você acha que os caras do gueto lá nos EUA ficam felizinhos com seus Xbox?), e se os consoles (que precisam ficar anos no mercado, na nossa forma de mercado de jogos atual) fossem desenvolvidos duas gerações a frente (para assim competir com o PC), além de todo mundo que tem PC conseguir jogar assim, seria uma coisa AINDA MAIS elitizada do que já é e o alto custo não compensaria para as empresas o apelo de massa que o mercado de video-games hoje em dia tem. Portanto, não basta dizer "Ah minha placa de video que eu dei 3 salários inteiros só nela com meu processador de 78977676765789 núcleos arregaçam um console, console atrasa."; deve-se observar também o aspecto econômico da coisa.

Quando saiu o PS3, por exemplo, ele custava 600 dólares. E os jogos, 60 dólares... Então o cara comprava um PS3, depois 10 jogos e, PÁ! 1200 dólares. Nos EUA, já dá pra comprar um carro véio com isso. Aliás, aqui no Brasil também dá (se tratado em dólares é claro). Aliás quando saiu o PS3 por aqui, as Lojas Americanas estavam cobrando SÓ 7000 reais em um. Super barato, não acham? Mas enfim, observe a elitização da coisa.

Outra coisa, os PCs são um diferente do outro, os consoles não. Se os jogos fossem feitos ESPECIALMENTE pra rodar em uma GeForce GTS250, com um AMD 64 X2 5200 e 2GB de RAM, já teriam seus gráficos muito melhores que os de qualquer console, no entanto, por vezes me vejo obrigado a diminuir os gráficos pra conseguir jogar em uma frame-rate aceitável (galera que lê meu blog que não entende dessas paradas e tá com "?" na cabeça, pára de ler a matéria, porra). Agora os consoles são todos iguais, portanto os jogos são feitos otimizados para suas configurações. Outra coisa também, é que, puta que pariu, sempre que vejo um jogo de console rodando, DÓI MEUS OLHOS de tanto ver serrilhado... Cara vi Castlevania Lords of Shadow rodando numa TV de plasma linda esses dias, full HD, bagulho loko... Putz mas se fosse num PC eu ia jurar que o cara tava jogando com o gráfico no mínimo. Tava de doer os olhos. MGS4, também... Tudo bem que é um jogo velho, mas puta merda cara, o jogo já parece que tem o gráfico no mínimo, tem mais cutscene do que jogo e ainda DÁ LAG no PS3. Naboa, exclusivo dando lag é uma coisa que eu acho nojenta. God of War series os jogos nunca tem V-Sync pra conseguir ter um gráfico melhor, etc.

Não tô dizendo que console não presta nem nada, só tô mostrando exemplos do por quê diz-se que atrasa. Enfim, espero que todo mundo tenha entendido... Eu sei que mandei não ler a matéria, mas aqui vai um glossário dos termos que eu usei:

Geração: Refere-se às diferentes gerações de consoles e hardware de PC. Por exemplo, na geração passada a Sony tinha o Play 2, hoje tem o Play 3, em breve terá o Play 4 na geração seguinte, etc. Geralmente as plataformas de cada geração competem com poder de processamento parecido, tendo cada plataforma seu diferencial.

Console: Plataformas de video-game, como Playstation, Xbox, etc.

Frame-Rate: a taxa de quadros por segundo que um jogo roda. Quando um jogo é "pesado" demais para a máquina que o processa, é normal que essa taxa caia, deixando assim o jogo lento.

Lag: lentidão, atraso. Nesse post usei para me referir à situação descrita acima.

Placa de vídeo: O componente do PC mais importante para rodar jogos, responsável pelo processamento gráfico, possibilitando, quando avançada, a renderização de gráficos 3D como estes (clique para ver em tamanho real):


Processador: A unidade mãe de processamento, o cérebro do PC. De uma forma bem leiga, quanto mais núcleos, mais potência, como se seu cérebro tivesse mais neurônios (alerta: O uso de maconha próximo ao computador pode diminuir sua capacidade de processamento)

Exclusivo: Quando uma desenvolvedora de jogos assina contrato com uma fabricante de consoles para só lançar o jogo para sua plataforma, visando impulsionar as vendas da mesma.

Serrilhado: Graças a imagens em 3D serem compostas por píxels (que são quadrados), por muitas vezes pode-se notar nas bordas de praticamente tudo o que for na diagonal, serrilhados. O filtro que elimina isso (Anti-aliasing, AA) é conhecido e é pesado para processar.

V-Sync: Função pesada de processar que sincroniza a frequência que os gráficos são processados, com a frequência da TV ou monitor, eliminando assim erros de imagens como saltos na tela e a imagem quebrando (geralmente coisa de 1/3 de segundo).

Enfim é isso. Vlw aí. Eu nem pretendia postar isso aqui, mas gostei do comentário lá e decidi fazê-lo. Em breve volto com uma postagem legal, estadual e bonita como a anterior. Vlw.

terça-feira, 8 de março de 2011

A orientação sexual e minha opinião sobre sua construção e impactos dentro da sociedade

Olá a todos. A postagem de hoje é séria, portanto vou evitar as habituais piadas e palavrões que geralmente decoram meus textos aqui postados. Como já pode ser notado, adotarei também um linguajar mais rebuscado, buscando auxiliar à completa compreensão do texto, assim como minha expressão através dele.

Comecemos então, com esta que deverá ser uma das mais polêmicas publicações até então.

Orientação Sexual, de acordo com definições encontradas online, dicionários, entre outras coisas, descreve um padrão de atração emocional, romântica ou sexual para com homens, mulheres, ambos, nenhum ou outro gênero. É, no linguajar simples e direto, o que chamamos de Homossexual, Bissexual, Heterossexual, etc.

E aqui hoje vou falar sobre minhas concepções, opiniões e conhecimentos sobre o assunto, buscando um olhar imparcial – ainda que, como estamos todos sob influência de nosso âmbito social e dos estudos que realizamos anteriormente à escrita, um olhar completamente imparcial seja impossível.

Alertas prévios:

Antes que de fato comece a escrever sobre o tema, sinto-me na obrigação de alertar que de forma alguma me considero sociólogo, filósofo, psicólogo, biólogo, ou bastante estudado em qualquer outra ciência que eu venha a abordar mais a frente. Porém também acho importante lembrar que não é necessário ser um matemático para realizar uma equação de terceiro grau. Também acho importante o aviso de que com o texto que digito no momento, não pretendo de forma alguma ofender, descriminar e/ou julgar qualquer grupo social, portanto se ao chegar ao fim das linhas, você se sinta assim, nada posso fazer. Por fim, digo que o texto é pessoal, logo nada que direi aqui estarei afirmando como a verdade absoluta, apenas minha humilde e sincera opinião, baseada em estudos e ciências que a mim fazem sentido. Agora vamos começar.

Refleti durante vários minutos sobre por onde deveria começar o texto e cheguei finalmente a uma pergunta inicial: O que define a orientação sexual de uma pessoa? Em minha humilde opinião, a orientação sexual é, antes de qualquer outra coisa, definida por fatores sociais e psicológicos e é com esses fatores que pretendo trabalhar pelo resto do texto, deixando, talvez, a biologia um pouco de lado, pelo menos para o começo.

É claro que existem, sim, argumentos biológicos para tanto a descriminação quanto para a justificação das orientações sexuais que sofrem a maior parte da descriminação da sociedade, isto é, aquelas que definem um padrão de comportamento romântico, sexual ou emocional para com o mesmo sexo, no entanto, humildemente devo assumir que não tenho o estudo necessário para trabalhar meu pensamento com (ou contra) tais argumentos. Dessa forma, meu texto tornar-se-ia uma verdadeira bagunça caso eu tentasse incorporá-los em meio à minha forma de pensar o polêmico tema.

Mas então que fatores sociais e psicológicos seriam estes? Fatores culturais, eu assumo. Partilho da opinião filosófica de que o ser humano não se encaixa, naturalmente, em nenhuma das orientações que conhecemos, pois imagino um homem primitivo: Este visa apenas seu instinto, sua reprodução e o prazer o qual o instinto lhe compele a buscar. Há argumentos, é claro, de que o ser humano seja naturalmente heterossexual, assim como há argumentos de que ele seja naturalmente bissexual, porém como mencionei acima, discordo de ambos em função do exemplo já mencionado. Necessito então de outra pergunta retórica em vista que possa progredir com meu raciocínio: Pelo que, então, sentimos atração? Eu particularmente modificaria essa pergunta e a direcionaria ao leitor de meu texto: Pelo que você sente atração? De certo, se várias pessoas lerem este escrito, serão obtidas várias respostas diferentes. Afinal, uns ou umas gostam de mulheres louras, morenas, que vestem roupas de alto custo, que vestem roupas decotadas, que não vestem nenhuma roupa... Ou talvez de pessoas gordas, magras ou musculosas, ou com traços asiáticos, de pele negra, morena, pálida, que usam óculos, que entendem de matemática, jogos, filosofia, sexo, que têm poder sócio-econômico e/ou político, entre outras centenas de milhões de características e/ou combinações destas que podem levar Alberto a sentir-se atraído por Luciana, por José, por ambos, ou ainda pela torneira de seu banheiro. A questão é que, salvo exceções, a meu ver não nos sentimos atraídos por sexo X, mas sim por um conjunto de características culturais pertencentes ao sexo masculino, feminino, ou ambos.

Todavia, muitos homens, mesmo sentindo-se demasiado atraídos por uma mulher em especial, jamais teriam um romance, ou mesmo quaisquer relações de cunho sexual, ao descobrirem que tal mulher na verdade modificou seu sexo ao longo da vida, tendo previamente sido um homem. Mas por que se esta satisfaria todos os fatores que eles precisariam para que pudessem ter com ela quaisquer relações sexuais ou afetivas? A resposta reside em outra série de características, que desta vez eliminariam a atração, sendo que podem ser exatamente aquelas mesmas que a criariam em outra pessoa, estando “Não ter nascido mulher” entre elas. Afinal, dentro dos conceitos do personagem aqui imaginado, ali não há uma mulher de verdade e sim algo pelo qual ele não sente nenhuma atração, ou talvez sinta, no entanto sua moral o compele a acreditar que é errado estar com tal pessoa, entre outras centenas de motivações possíveis para que seu sexo NÃO se oriente a ela.

Dentro da questão moral, aliás, podemos abordar uma série de questões também culturais, como o senso comum, o senso de formação da família tradicional e criação de filhos, a religião, entre outros fatores que se exprimem dentro da cultura de absolutamente todas as sociedades humanas. Tais fatores podem levar a diversas atitudes tanto em relação à própria, quanto em relação à orientação sexual alheia. O ser dentro da sociedade (e o conceito de orientação sexual só faz sentido ao ser colocado num âmbito social) pode sentir-se orgulhoso de sua orientação, seja porque acredita que aquilo é o certo, seja porque aquilo é uma forma de se auto-afirmar contra a discriminação que sofre; pode sentir-se errado e reprimi-la; pode descriminar a alheia, porque no fundo ele sente a mesma coisa, mas tem inveja do simples fato de que o próximo a expressa publicamente e ele, acreditando ser errado, imoral, ou uma série de fatores, não o faz... Dentre muitas outras situações que assumir – ou não assumir publicamente – uma orientação sexual podem ter dentro de um meio social.

Agora utilizemos de algumas exemplificações e explicações mais diretas: Pensemos num homem gay. Vamos chamá-lo de Alejandro. Alejandro veste-se com roupas e adota comportamentos que mostram a qualquer um que o veja de longe, qual sua orientação. Por que Alejandro faz isso? A meu ver, nosso personagem precisa desesperadamente se auto-afirmar dentro da sociedade, graças ao fato de essa descriminá-lo. Ou também pode ser que seja apenas um fator cultural gay – do qual eu acredito que a raiz seja a que descrevi – e que, após o convívio com outros homens também gays, Alejandro passou a, inconscientemente, mimetizar seus comportamentos. Pode até ser algum terceiro fator o qual não consigo pensar no momento, ou ainda um misto de todos estes. Alejandro sente-se atraído por homens musculosos, de cabelo curto e voz grave e profunda, talvez porque tais características exprimam a masculinidade para Alejandro, de forma que ele, por um fator – agora sim, chegamos ao ponto que até eu temia – talvez biológico, talvez psicológico, seja o que ele busca. Alejandro é homossexual, pois se interessa apenas por homens, no entanto ele busca as características que para ele definem um homem. Ou talvez não, de certa forma ele pode apenas buscar tais características, pois para ele elas representam poder, ou proteção. Mas vamos assumir que, no caso de nosso personagem, é devido a tudo isso representar a masculinidade, de fato.

No entanto, nem todos somos como Alejandro. Muitos de nós nos atraímos apenas por fatores os quais nos atraímos, sem descriminar se tais fatores provêm de um homem ou de uma mulher. Outros de nós somos capazes de abrir uma exceção a nossa normal orientação, visto alguma pessoa cumprir quesitos especiais, que muitas vezes nem sequer nós sabemos quais são.

Se a orientação sexual é um fator primariamente cultural, então ela não pode ser fixa. Ao longo da História, muitos estudiosos – dentre eles os mais famosos sendo Alfred Kinsey e Fritz Klein -, com a ajuda de pesquisas científicas e estudos baseados em dados de massa, afirmaram que a sexualidade – ou orientação sexual – não seria um fator fixo, como pensamos, mas sim móvel, modificando-se ao longo do tempo. De certo concordo com isso, já que nossa cultura está em constante mutação ao longo da vida. Um fator interessante é que ambos os estudiosos que citei acreditavam em uma espécie de progressão da sexualidade – apesar de que “progressão” não acredito ser a palavra certa. Essa progressão, no caso de Alfred Kinsey, começaria em 0 (completamente heterossexual) e terminaria em 6 (completamente homossexual), sendo 3 o “meio-termo”(bissexual, igual em relação a ambos os sexos). O trabalho de Klein, no entanto, aprofunda-se mais nesse caso, tratando de 7 níveis e trabalhando com a forma como a orientação seguir-se-á ao longo da vida do indivíduo. Portanto, assumo que um indivíduo de forma alguma nasça com sua orientação sexual, mas desenvolva-a ao longo de sua vida, ainda que fatores biológicos e de sua socialização primária (em especial nos primeiros três anos de vida) tenham papel fundamental em sua formação.

Atualmente é fácil observar na juventude um fenômeno de demasiados jovens bissexuais, ou que pelo menos assim assumem-se. Deixemos de lado expressões pejorativas usadas por grupos radicais (como “BUG”) e tratemos dessa questão mais imparcialmente. Antes de qualquer coisa é importante salientar que a adolescência é o período da vida em que a sexualidade – seja lá como se oriente – está mais latente do que nunca, assim como é onde o convívio com o mundo exterior e culturas diferentes se torna muito maior, despertando assim a curiosidade. Combinados esses dois fatores, mais a sociedade relativamente liberal do século XXI, já temos material suficiente para justificar tal fenômeno sem afirmar que os jovens buscam atenção, ou algo assim. No entanto, ao menos na forma como vejo as coisas, em muitos dos casos é realmente essa busca por atenção que acontece. No entanto há outra série de fatores. Talvez a carência, ou no caso das meninas a busca por atenção do sexo oposto, talvez a necessidade de colocar-se contra os padrões sociais em vista de uma formação psicológica rebelde, entre outras muitas situações possíveis. Todavia, vamos nos ater à primeira justificativa que apresentei, sendo esta: A combinação de uma sexualidade e curiosidade latentes a uma sociedade um tanto mais liberal que aquela do passado.

Partindo desse ponto, vou apresentar minha teoria, pois convivo intimamente com duas pessoas que se enquadram nesta categoria talvez moderna – ou talvez não – da bissexualidade. Meu pensamento é de que, voltemos a quando mencionei os homens que, ao descobrirem que uma mulher havia nascido homem, a deixariam imediatamente? Isso em vista de um fator negativo fortíssimo para eles, o “não ter nascido mulher” ou “ter nascido homem” que na mente de nosso grupo de homens seria o mesmo que “não ser mulher” ou “ser homem.” A questão é que, graças a série de fatores da adolescência contemporânea que mencionei, tal ponto negativo deixa de existir, permanecendo apenas o “ser mulher” e “ser homem” como pontos positivos e não negativos. Graças a isso surge, além de uma atração pelo sexo oposto (no caso de pessoas predominantemente heterossexuais que assumem tal postura bissexual) ou pelo mesmo sexo (no caso de homossexuais na mesma situação), uma falta de aversão pelo sexo pelo qual tal pessoa não se sente atraída, dessa forma ela pode ceder a estímulos sentimentais, como apaixonar-se, ou a estímulos físicos, como ter relações sexuais com uma pessoa de um sexo pelo qual não se sentiria normalmente atraída, apenas pelo prazer sensorial proporcionado pela relação. Graças ao convívio com isso e com essas idéias e, acreditando-se bissexual, tal jovem passa a realmente sentir atração por ambos os sexos, porém mantendo um deles como sua atração predominante.

Outro ponto para o qual gostaria de chamar à atenção é da necessidade de provar-se como válido para seu círculo social que uma enorme quantidade de pessoas possui. Graças a isso, muitos desses indivíduos, acredito eu, reprimem sua verdadeira orientação sexual ou mantém a mesma em segredo para garantir o respeito daqueles que o cercam. Isso também é outro fator que influencia na demasiada quantidade de jovens bissexuais no século XXI.

Por hoje, finalizo meu texto sobre as orientações sexuais variadas e sua formação dentro da sociedade contemporânea. Espero que tenham aproveitado a leitura e que tenha causado pelo menos um pouco de reflexão.

Obs.: Gostaria de atestar que me posiciono absolutamente CONTRA as comuns descriminações contra pessoas que, voluntaria ou involuntariamente adotam comportamentos que as dão identidades sociais relacionadas à orientação sexual diferentes de “heterossexual”, pois graças aos fatores que acima escrevi, acredito que tais descriminações e julgamentos são demasiado equivocados.

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Meu amigo Hel me cobrou escrever no blog, então bati esse texto aqui... Agora são 6:13, mas tôbem desde umas 3:30 digitando, refazendo, etc. Espero que tenha ficado bom ae gente. Desculpa a falta de imagens, mas o texto puro deve permanecer imaculado. ( O que significa que eu tô com preguiça de buscar imagens legais pra pôr aqui).

Beijos e fiquem com... Hum... Roda Morta. Roda Morta rula. Sérgio Sampaio rula. Zeca Baleiro rula.